PROGRAMAÇÃO DO EVENTO                   ENGLISH VERSION                        INSCRIÇÃO

Descrição do evento

A língua portuguesa falada em Angola, Brasil e Moçambique se caracteriza linguisticamente pela passagem por um processo de formação de novas variantes e variedades devido à sua complexa história, seu contato com outras línguas e sua aquisição como língua segunda (L2) por falantes não nativos. Nos processos de variação e de mudança linguísticas hánecessidade de criação de um programa claro e definido de política linguística com o fim de descrever e codificar as novas características linguísticas  assim como lidar com as ideologias e crenças de linguagem. Nenhum programa rigoroso existe nesses países e o resultado é o preconceito e discriminação linguística; as mudanças naturais das línguas produzidas pelos falantes nativos são consideradas erradamente como aberrações da linguagem e são altamente estigmatizadas. Nesses países, essas formas não padronizadas são faladas pela maioria da população que tem o português como língua do cotidiana e o preconceito linguístico que enfrentam pode resultar em problemas de instrução na língua padrão, no envolvimento de indivíduos com o sistema educacional e com a classe dirigente e, no caso de Moçambique e Angola, a aceitação nacional da língua. Esses fatores acabam tendo efeitos negativos no desenvolvimento social e econômico dos países. No ranking de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2016 (Sachs, Schmidt-Traub, Kroll, Durand-Delacre, & Teksoz, 2016) todas as nações modernas do antigo império português, com exceção de Portugal (24/187), estão classificadas em baixas posições. Políticas linguísticas malsucedidas foram identificadas (Spolsky 2018) como razões para o baixo nível de desenvolvimento nesses países, já que problemas econômicos e políticos impediram que eles prestassem a devida atenção à situação linguística.

No contexto africano, o papel das línguas africanas deve desempenhar um papel central em qualquer teorização das políticas linguísticas, especialmente na educação, já que o português é falado apenas como primeira língua por 40% da população de Angola (ethonlogue) e 10,7% da população em Moçambique (Gonçalves 2015: 9) apesar de o Português ser a língua de ensino em todos os níveis dos sistemas educativos. De facto, embora tenha havido avanços na introdução de programas de educação bilíngüe em algumas áreas de ambos os países (Manuel, 2015), existem altos níveis de taxas de analfabetismo em ambos os países (54,2% em Moçambique (2005-2010) e 58,3% em Angola (Malik, 2013, p. 173-179). Timbane (2015: 100) chama a atenção para as taxas de abandono escolar em Moçambique, que nas regiões em que o português não é falado pode atingir níveis de 64,6%. Uma política linguística inadequada é mais uma vez identificada (idem) como um dos principais contribuintes tanto nas taxas de evasão escolar quanto nas taxas de analfabetismo. A língua usada para ensinar crianças não é uma língua nativa delas. De fato, na África há um debate acadêmico e político em curso sobre a falta de avanço socioeconômico que é um produto da diversidade linguística e o uso de línguas ex-coloniais como línguas oficiais ou ainda, o avanço econômico e a construção de uma identidade nacional podem ser alcançadas através de uma política linguística que, em vez de depender de preconceitos linguísticos, seja sensível aos papéis simbólicos e comunicativos desempenhados pelas diferentes línguas e procura evidenciar os valores sentimentais e instrumentais associados às diferentes línguas (Firmino, 2015 ).

O Português, no entanto, continua sendo a única língua oficial de Angola e de Moçambique, a principal língua da educação, da política e da administração e a língua que é importante para o emprego e sucesso econômico (Gonçalves, 2001). No entanto, o modelo desta língua oficial baseia-se na norma portuguesa e não na forma como a língua é utilizada nos respectivos países, o que coloca uma série de problemas sociais no desenvolvimento, especialmente no contexto da educação, já que os professores não só têm de ensinar o padrão europeu para os estudantes de L2, mastambém têm que ensinar uma variedade de português que podem não dominar completamente e que não é nativa para muitos falantes (Robate, 2006). Desse modo, a situação é comparável ao Brasil, já que o sistema educacional ensina uma variedade da língua que é estranha à maioria dos estudantes (Perini 2003) e a falta de consciência ou política em relação ao preconceito lingüístico foi identificada como um possível problema de desenvolvimento, contribuindo talvezpara as taxas de abandono escolar (O’Neill & Massini-Cagliari, 2019).

Este evento, focado no mundo lusófono, é um evento satélite de um workshop sobre Língua, Preconceito, Exclusão Social e Desenvolvimento  – para detalhes sobre o programa em inglês veja https://preconceitolinguistico.group.shef.ac.uk/132-2/

ENGLISH VERSION 

The Portuguese language spoken natively in Angola, Brazil, Cape Verde, East Timor and Mozambique can be characterised linguistically as undergoing a process of new dialect formation due to its complex history, its contact with other languages and its L2 acquisition by non-native speakers. In such processes of change, there is a need for a clear and defined language management programme in order to describe and codify the new linguistic features and to deal with language ideologies and beliefs. No such rigorous programmes exist in these countries and the result can be linguistic prejudice and discrimination; the linguistically natural changes produced by native speakers can be considered to be aberrations of the language and are highly stigmatized. In these countries such non-standard forms are spoken by the overwhelming majority of the population who have Portuguese as their daily language and the linguistic prejudice they face results in problems for instruction in the standard language, the engagement of individuals with the education system and the establishment, and, in the case of Mozambique and Angola, the national acceptance of the language. These factors ultimately have negative effects on the social and economic development of the countries. In the Sustainable Development Goals rankings for 2016 (Sachs, Schmidt-Traub, Kroll, Durand- Delacre, & Teksoz, 2016) all the modern nations of the former Portuguese empire, with the exception of Portugal (24th/187) are ranked in low positions. Unsuccessful language policies have been identified (Spolsky 2018)as contributing to the low level of development in these countries since economic and political problems have prevented them from paying due attention to the language situation.

Within the African context, the role of African languages must play a central role in any theorizing on language policies, especially in education, since Portuguese is only spoken as a first language by 40% of the population in Angola (ethonlogue) and 10.7% of the population in Mozambique (Gonçalves 2015:9) despite it being the language of instruction at all levels in the education system. Indeed, although there have been advances in the introduction of bilingual education programmes in some areas of both countries (Manuel, 2015), there exist high levels of illiteracy rates in both countries (54.2% in Mozambique (2005-2010) and 58.3% in Angola (Malik, 2013, p. 173-179)). Timbane (2015:100) draws attention to the school drop-out rates in Mozambique, which in regions in which Portuguese is not spoken can reach levels of 64.6%. An inadequate language policy is once again identified (idem) as a major contributor in both school drop-out rates and rates of illiteracy. The language used to teach children is not a language that is native to them.

There is an ongoing academic and political debate around whether in Africa the lack of socio-economic advancement is a product of linguistic diversity and/or the use of ex-colonial languages as the official language or whether economic advancement and the construction of a national identity can be achieved through a language policy which, instead of relying on linguistic prejudices, is sensitive to the symbolic and communicative roles played by different languages in a community and seeks to enhance the sentimental and instrumental values attached to different languages (Firmino, 2015).

Portuguese remains the sole official language of both Angola and Mozambique, the main language of instruction, politics and administration, the language spoken in all territories of the country (spoken by 60% of Angolans and 50% of Mozambicans), and the language which is important for employment and economic success (Gonçalves, 2001). However, the model of this official language is based on the Portuguese standard, and not how the language is spoken in the respective countries, which poses a number of social and developmental problems, especially in the context of education since teachers not only have to teach the European standard to L2 students but they also have to teach a variety of Portuguese which they may not completely dominate themselves and which is foreign to native speakers of the language (Robate , 2006). In this way the situation is comparable to Brazil since the education system teaches a variety of the language which is foreign to most students (Perini 2003) and the lack of consciousness of or policy towards linguistic prejudice has been identified as a possible developmental problem which could be contributing to school drop-out rates (O’Neill & Massini-Cagliari, 2019).

As always, the debates about languages and language varieties are related to questions about power and it is no coincidence that those languages/varieties which are most discriminated against tend to be spoken by the less wealthy in society; linguistic prejudice is intimately linked with and used as a proxy for other social inequalities involved with race, ethnicity, wealth and social class.

The workshop seeks to bring scholars together to discuss the forms of Portuguese spoken in these countries and how the language is taught there and the respective language policies towards, not only Portuguese, but also the other languages spoken in these territories.

Note that this event, focussing on the Lusophone world, is a satellite event of a larger workshop on the topic of Language, Prejudice, Social Exclusion and Development- for full details of the entire programme see here.

The full programme of the workshop, including abstracts of some talks can be found here If you would like to attend the workshop please register  here in advance of the workshop so we have an idea of numbers. If you have questions please e-mail paul.oneill@sheffield.ac.uk 

Workshop Venue –  Jessop Building (room 117), 34 Leavygreave Road, S3 7RD

Registration – Jessop West foyer (image below) 1 Upper Hanover Street (S3 7RA)

Jessops West

Jessop West is just over the road from the University tram stop and is in walking distance of the centre. If walking from the centre it is best to follow the tram lines directly to Jessop West. From the railway station you can catch a tram in the direction of Malin Bridge (blue) or Middlewood (yellow)

Programme

Venue – Jessop Building 117 (registration and lunches in Jessop West foyer)

 

10.00-10.30

REGISTRATION

10.30-11.15

Língua, Preconceito, Exclusão Social e Desenvolvimento no Mundo Lusófono

INTRODUCTORY REMARKS – Paul O’Neill (Univeristy of Sheffield)

11.15-12.00

Educação para a cidadania no Moçambique pós-colonial

Feliciano Salvador Chimbutane

(Universidade Eduardo Mondlane, Mozambique

12.00-12.45

A influencia da política linguística nas desigualdades sociais em moçambique : opressão, exclusão e preconceito linguístico Alexandre António Timbane

(Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Malês, Brazil)

12.45-13.30

Construindo uma linguagem comum: colaboração portuguesa, brasileira e timorense na reintrodução do português em Timor-Leste

Alan Carneiro

(Universidade Federal de São Paulo)

13.30-14.30

LUNCH
14.30-15.15

Elementos da norma do Português culto de Angola: Fonologia, Sintaxe e Vocabulário.

Estudos feitos através de análise de corpus

Márcio Edu da Silva Undolo, Professor Associado da Escola Superior Pedagógica do Bengo, Angola e PhD pela Universidade de Évora

15.15-16.00

Language and education in post-colonial settings: Reflections on mother tongue education initiatives in Cape Verde

Nicola Bermingham

(University of Liverpool)

16.00-16.45

Diversidade linguistica e ensino de Língua Portuguesa: tensões e possibilidades

Gilcinei Carvalho

(Univesidade Federal de Minas Gerais, Brazil)

16.45-17.30

TBC

17.30-18.30

WINE RECEPTION (TBC)

18.30

CONFERENCE MEAL